Levantamento ouviu 50 empresas para mapear tendências do futuro do trabalho das juventudes brasileiras até 2030
A empregabilidade dos jovens no Brasil sofreu transformações significativas na última década, tanto nas formas de vínculo quanto nas exigências para ocupação e permanência nas posições. Essas mudanças configuram um cenário em que apenas a formação técnica não atende às demandas e tendências de um mercado cada vez mais competitivo e desafiador. É isso que mostra a pesquisa conduzida pelo Instituto Reciclar, ONG voltada para a inclusão produtiva de jovens em vulnerabilidade social no Brasil. O estudo apontou que 92% das organizações terão preferência por habilidades socioemocionais mais do que certificações formais na contratação de jovens brasileiros nos próximos 5 anos.
A pesquisa “Panorama Juventudes e o Futuro do Trabalho 2026” foi realizada com especialistas de recursos humanos e lideranças de 50 empresas e mapeou as percepções, práticas e tendências relacionadas à inserção e ao desenvolvimento de jovens no mundo do trabalho até 2030. Entre as organizações participantes, 50% são do setor de serviços, 50% operam a nível nacional e 25% são multinacionais.
O levantamento mostra que a ampliação da contratação de jovens já é uma realidade para 83% das empresas, que aumentaram as posições de entrada nos últimos três anos. Ao mesmo tempo, 78% afirmam valorizar competências socioemocionais até mesmo acima de um diploma formal. Estágio e programas como Jovem Aprendiz seguem como os principais modelos de porta de entrada e desenvolvimento de carreira para jovens e adolescentes.
Segundo o estudo, entre as soft skills mais requeridas entre as marcas empregadoras até 2030 estão: comunicação (83%), inteligência emocional (75%), pensamento crítico (58%), resolução de problemas (50%) e proatividade (50%). As habilidades aparecem como as mais necessárias para o desenvolvimento dos jovens, independente da área de atuação.
Além da formação técnica, as empresas ouvidas pela pesquisa indicam que esperam dos jovens, antes mesmo da contratação, competências comportamentais consideradas essenciais para a adaptação ao ambiente corporativo. Entre os principais pontos citados estão responsabilidade e comprometimento (83%), postura profissional (50%), capacidade de resolver problemas (33%), comunicação clara e objetiva (33%) e noções básicas sobre o mundo do trabalho, como ética, hierarquia e processos internos (25%).
“Os dados revelam uma demanda crescente do mercado por profissionais que chegam mais preparados não apenas tecnicamente, mas também para desafios da rotina. Empresas procuram jovens capazes de se comunicar com clareza e solucionar problemas, competências que nem sempre são plenamente desenvolvidas na escola”, destaca o diretor-executivo do Instituto Reciclar, Carlos Henrique Lima.
Para o desenvolvimento, as práticas mais comuns adotadas pelas empresas, conforme levantamento, são mentorias em 83% delas e trilhas de aprendizagem em 75% das organizações. Fora das companhias, o aprimoramento dos programas de qualificação e ações de preparação desses jovens também foi destaque por 92% das empresas participantes da pesquisa.
“Para os jovens, especialmente aqueles que vivem num contexto de vulnerabilidade social, existe uma lacuna entre a formação escolar e o mundo do trabalho. Por isso, canais e parcerias com organizações que desenvolvam jovens são possíveis caminhos para ampliar as chances de contratação e, o mais importante, garantir a permanência das juventudes em posições de destaque no mercado de trabalho”, explica Carlos.
Sobre o Instituto Reciclar: O Instituto Reciclar é uma organização sem fins lucrativos que atua há 30 anos com o objetivo de promover a educação e a inclusão produtiva de jovens em situação de vulnerabilidade social, por meio de diferentes iniciativas e programas sociais focados na educação e formação profissional.
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